Pé boto em foco no “Vamos Falar de Saúde”
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Pé boto em foco no “Vamos Falar de Saúde”

Publicado em 06.05.2026

A primeira edição de maio do programa “Vamos Falar de Saúde” abordou o pé boto, uma condição ortopédica congénita que afecta o posicionamento dos pés à nascença e pode comprometer a mobilidade da criança se não for tratada atempadamente.

O programa contou com a participação de Luís Catumbela, assistente social, e Ana Paula da Silva, ortoprotésista, psicóloga clínica e directora do Centro Ortopédico do Lubango, que apresentaram uma análise clara sobre as causas, diagnóstico e opções de tratamento da condição.

O que é o pé boto e quais as causas?

Durante a sessão, os especialistas começaram por definir o pé boto como uma deformidade congénita caracterizada pela rotação anormal do pé. Foram apontadas três principais causas, com destaque para a origem genética, considerada o factor mais frequente. Também foram mencionados factores associados que podem influenciar o desenvolvimento da condição:

  • Factores intrauterinos (durante a gravidez)
  • Factores ambientais
  • Factores neuromusculares
  • Condições associadas (espinha bífida ou artrogripose)
  • Outras síndromes genéticas ou neurológicas

Diagnóstico precoce é fundamental

No que diz respeito ao diagnóstico do pé boto, foi explicado que, no contexto local, este é feito principalmente após o nascimento, através de avaliação clínica realizada por fisioterapeutas. Em alguns casos, o problema pode ser identificado ainda durante a gestação por meio de ecografia.

Foram ainda apresentados os dois tipos principais da condição:

  • Pé boto idiopático
  • Pé boto sindrómico

Tratamento: entre fisioterapia e cirurgia

O tratamento do pé boto pode variar conforme a gravidade do caso, passando por fisioterapia ou intervenção cirúrgica. Segundo os especialistas, a continuidade do tratamento é essencial para evitar complicações, como contraturas e limitações funcionais.

No âmbito das campanhas cirúrgicas realizadas no Lubango, cerca de 58 crianças já foram operadas, demonstrando o impacto positivo dessas iniciativas na recuperação dos pacientes.

O papel do Gabinete do Utente e da família

O Gabinete do Utente foi destacado como peça-chave no processo, sendo responsável pelo registo e acompanhamento dos pacientes. Além disso, tem desenvolvido um trabalho contínuo de sensibilização das famílias, promovendo a adesão ao tratamento e esclarecendo dúvidas sobre a condição.

Parcerias com o Hospital Pediátrico e a Maternidade têm reforçado a educação clínica, enquanto o Centro Ortopédico do Lubango tem apoiado no transporte de pacientes, facilitando o acesso aos cuidados de saúde.

Desafios e apelo às famílias

Um dos principais desafios identificados é a resistência ou abandono do tratamento por parte de algumas famílias, o que pode agravar o quadro clínico da criança. O assistente social Luís Catumbela destacou a importância do acompanhamento contínuo e deixou um apelo à não desistência do tratamento.

Foi também referido que o pé boto afecta com maior frequência o sexo masculino e pode levar a consequências sociais, como o bullying, caso não seja tratado adequadamente.

A primeira edição do “Vamos Falar de Saúde” reforçou a importância do diagnóstico precoce do pé boto, da adesão ao tratamento e do envolvimento familiar. Com acompanhamento adequado, é possível corrigir a deformidade e garantir uma melhor qualidade de vida às crianças afectadas.

Pé boto em foco no “Vamos Falar de Saúde”

Publicado em 06.05.2026
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